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Posted by : Lucas Iglezia
domingo, 5 de agosto de 2012
Temos memórias mil na grande cidade de São Paulo, esse
abacaxi gigante no qual nos encaixamos, crescemos, trabalhamos, estudamos...
enfim, vivemos. Um dos ícones da memória paulistana existe somente na lembrança
agora, tendo em vista que não existe mais fisicamente. Falo do Playcenter.
Lembro-me das flores dispostas de tal forma que formavam o
logotipo da empresa e de como todo o lugar parecia gigante para mim. Tinha até
mesmo um teleférico, que levava os visitantes para outra área do parque, em que
se encontrava um tobogã gigantesco (ou era gigante porque eu era criança).
Ainda sobre os brinquedos, o que podemos falar da divertida
– e bizarra - Montanha Encantada? Quem
não se lembra do barquinho que descia um rio dentro de uma caverna recheada de
bonecos cantores e diversos temas de contos de fadas? Era uma prato cheio para
quem sofria de automatonofobia, como eu, por exemplo.
Na minha adolescência, começaram as excursões de escola para
o parque. Lembram-se da bagunça que fazíamos no curto caminho até lá? Parecia
uma eternidade também para chegar. Sempre íamos à época das famosas e saudosas
Noites do Terror. O clássico do parque fez sucesso desde a década de 80 levando
“monstros” que percorriam todo o parque e shows na área do antigo Castelo do
Terror.
Entre outros, posso citar dois brinquedos que me causaram
paixão pelo Playcenter: Boomerang e Evolution. Era horrível pegar as filas das
respectivas atrações, que chegava a fazer com que perdêssemos mais de uma hora.
Porém a diversão e adrenalina eram garantidas em 100%. O melhor era quando o
parque faltava pouco para fechar e não tinha mais ninguém para pegar fila.
Lembro que numa dessas raras oportunidades consegui ir ao Boomerang umas cinco
vezes seguidas!
Entre essas e outras, como os roteiros programados entre
brinquedos, a azaração no parque, as brincadeiras da época do colégio, os
namoros, as piadas, as escapadas nas Noites do Terror, os monstros que eram
motivo de chacota... entre tais coisas e lágrimas nos olhos digo: quem não teve
oportunidade de ir ao Playcenter não sabe como é a saudade de gerações e mais gerações
que cresceram, levaram seus filhos e netos ao parque.
Cresceu junto com São Paulo, com suas famílias. E, sendo
assim, conquistou nossos corações. Nossa memória sempre estará nesses pequenos
e gostosos momentos que vivemos. E o Playcenter ajudou e fez parte de muitos
desses.




